Campinas, 09 de Agosto de 2020
MEU ARTIGO 005 - UBIRATAN SANTOS
13/07/2020
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O COVID19, O SUS E OS SISNDICATOS
* UBIRATAN SANTOS


No bastassem desemprego elevado, subemprego, retirada de direitos dos trabalhadores e aposentados e reduo (quantitativa e qualitativa) das polticas pblicas, que assistimos desde 2016, a pandemia pelo vrus SARS-CoV-2 vem impondo um profundo gravame aos trabalhadores, aos mais pobres, aos sem gordura pra queimar.

O primeiro e maior responsvel por esse desastre ogoverno Jair Messias Bolsonaro.

Estimativas revelam que, em poucas semanas,vamos superar 100 mil mortes e mais de dois milhes os infectados, nas contas oficiais, subnotificadas pela falta de diagnsticos.

Responsabilidade pelo desprezo com a doena e suas consequncias, pelas mensagens e atitudes contrrias s melhores recomendaes conhecidas para a preveno, pela falta de coordenao nacional das aes de sade, pela desorientao quanto ao tratamento, com o presidente funcionando como garoto cloroquina de propaganda, pelas limitaes em valores e entraves burocrticos para que recursos cheguem ao povo necessitado, ao SUS, aos estados, prefeituras e pequenas empresas, e pela inexistncia de uma coordenao de empresas para produzirem, na quantidade e a preos no escorchantes, produtos indispensveis ao setor sade, com a adicional decorrncia de aumentar empregos e renda
para os trabalhadores.

Embora o vrus SARS-CoV-2 no discrimine a classe social para tentar se instalar e prosperar, no Brasil, a covid-19 teve incio a partir dos que menos trabalham, os mais endinheirados, mas que exigem o trabalho dos outros, e se propagou para o conjunto da populao, com maior impacto na morbimortalidade entre os mais pobres, negros, ndios, menos escolarizados, trabalhadores e moradores das periferias desassistidas.

Ou seja, os que tm piores condies de moradia, alimentao, maior desemprego e subemprego, menores salrios/rendimentos, os que mais usam os transportes coletivos lotados.

Afinal, trabalham ou vo luta em busca de sustento pela falta de apoio do Estado.

As consequncias da epidemia s no so mais danosas pela existncia do Sistema nicode Sade (SUS), que est presente em todos os municpios brasileiros.

Embora desprestigiado nos ltimos anos, o SUS tem capacidade de resposta rpida quando exigido e acionado, em todos os nveis de ateno.

Como faz parte do cotidiano no mundo, situao que bem conhecemos no Brasil, o registro da atividade profissional dos pacientes no usual nos pronturios mdicos e nas notificaes aos servios de vigilncia (quando feito no disponibilizado), o que limita o conhecimento do impacto da pandemia nas diversas categorias de trabalhadores,
informao importante para orientar a preveno.

Entretanto, para algumas categorias, alguns dados tm sido disponibilizados pela ao dos sindicatos e do Ministrio Pblico do Trabalho.

H milhares de trabalhadores infectados na rea da sade, em frigorficos, entre os metrovirios e rodovirios (motoristas e cobradores).

Quadro que reflete no apenas o descaso com a segurana no trabalho por parte dos responsveis — patres e poder pblico — como permite que prospectemos sobre a segurana que oferecem nos servios que prestam.

Na sade, com a falta de EPIs, isolamentos adequados entre as reas, normatizao rgida para os profissionais e pela higiene dos ambientes, que envolve boa ventilao e adequada umidade dos ambientes internos.

Nos frigorficos e transportes coletivos, se seus trabalhadores so infectados aos batalhes, os produtos dos primeiros e
os usurios do segundo, no esto livres da contaminao.

Medidas de higiene, distncia entre pessoas e reas, limpeza, ventilao e umidade adequadas, identificao e isolamento precoce de possveis infectados podem ser notados entre os fatores favorveis ao maior risco de transmisso.

Neste contexto, entendo que cabe um importante papel aos sindicatos na defesa do SUS e dos trabalhadores empregados, desempregados e aposentados das categorias que cada entidade representa.

A comear pela exigncia de que todos os atendidos com diagnstico de covid-19 tenham a sua situao informada ao respectivo sindicato, para que lhes possa prestar solidariedade, conhecer o modo real e atual de vida de cada trabalhador, ex-trabalhador ou aposentado. Tambm ajud-los a receber auxlios e, os que ficaram com sequelas da doena, se recuperarem melhor e mais rpido.

Isto no tem nada a ver com sigilo profissional, trata-se de um direito de saber.

Os trabalhadores devem tambm exigir participar de comits de acompanhamento das aes de sade (no necessrio aguardar lei, decreto, o formal, neste caso, vir da prtica legitimada) nas Unidades de Sade das cidades (podem dividir responsabilidades entre sindicatos/categorias).

para que conheam o que est sendo feito e tambm pressionem os governos a melhorarem os servios que devem atender suas categorias.

Alis, j as atendem em sua maioria, como os desempregados, os aposentados, ao filhos vacinados, no diagnstico e tratamento de doenas que convnios (quando os tm) rejeitam, as aes de vigilncia em sade, como agora mais explicitamente com a covid, e nos tratamentos de doena crnicas, os canceres, bem como o fornecimento de medicaes, inclusive as de alto custo.

Os trabalhadores devem exigir que todo paciente internado por covid-19, na alta hospitalar, seja acompanhado na unidade de sade mais prxima da sua casa.

Essa unidade de sade tem que ser informada da alta e da condio do paciente para que possa providenciar os atendimentos necessrios melhor recuperao de cada um, como alimentao, fisioterapia, exerccios, suporte sade
mental.

Se o paciente, aps a alta hospitalar, precisar ficar um tempo fora do seu domiclio (por exemplo, em quartos de hotis alugados pelas prefeituras ou em reas dos hospitais de campanha) devido s suas limitaes, a Unidade Bsica de Sade (UBS) e programa de sade da famlia podem realizar essas tarefas, buscando integrao com a educao, da assistncia social e de esportes.

E, por fim, os trabalhadores precisam participar ativamente da luta contra a pandemia. Por exemplo, pressionando os governos a seguirem as recomendaes de especialistas, a manterem o isolamento social at que quedas consistentes e seguidas do nmero de pessoas infectadas e mortas sejamo bservadas.

Participando de aes como estas, creio que os sindicatos podero fortalecer, no apenas o SUS, como suas relaes de classe e de solidariedade entre os trabalhadores das mais diversas categorias.

So Paulo 11 de Julho de 2020

*Ubiratan de Paula Santos (Bira) mdico.O texto acima resume a sua apresentao numa mesa redonda noDia da Luta Operria, comemorado virtualmente neste 9 de julho.

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