Campinas, 28 de Maio de 2020
PETROBRAS ESTA DEIXANDO SANTOS
22/05/2020
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SANTOS VAI FICAR MAIS POBRE

NOTA DO SINDIPETRO LP

22/05/2020 - SEM RESITNCIA FUTO DO EDISA VALONGO FECHAR AS PORTAS COM DEMISSO EM MASSA

Sem resistncia, futuro do Edisa Valongo  fechar as portas com demisses em massa

Em reportagem publicada na edio desta sexta-feira (22), o jornal A Tribuna publicou matria de pgina inteira, sob o ttulo ‘Petrobras transfere empregados ao Rio’, que repercute o histrico de medidas da alta administrao da companhia que sinalizam o abandono das instalaes e investimentos no estado de So Paulo. Na reportagem abaixo, o Sindipetro Litoral Paulista expressa o seu posicionamento sobre o tema e lista um extenso histrico de medidas que comprovam o esvaziamento promovido pela empresa no estado e tambm em Santos, no Edifcio Valongo.

Em dolorosas parcelas, a direo da Petrobrs est reduzindo a presena da empresa no estado de So Paulo, extinguindo postos de trabalho terceirizados e transferindo mo de obra direta para o Rio de Janeiro. Perdem os trabalhadores, engrossando o batalho de desempregados do pas, que superam os 12 milhes pelos dados oficiais, e perde toda populao paulista, com a fuga de investimentos da estatal e consequente queda na arrecadao de tributos e outras receitas.

Na cidade de Santos, as medidas adotadas apontam para um esvaziamento paulatino de suas atividades no Edifcio Valongo. O prdio uma espcie de QG das operaes de explorao e produo de gs e petrleo das plataformas da Bacia de Santos, mas seu papel estratgico vem sendo ameaado. Uma medida recente que ilustra essa tendncia a transferncia da representao sindical de 937 trabalhadores para o Rio de Janeiro.

Anunciada no dia 11 de maio, a mudana atinge petroleiros lotados no Edisa Valongo que atuam, sob regime especial, em sete plataformas da base territorial do litoral paulista. Segundo o Sindipetro-LP, que considera a alterao ilegal, a mudana tem dois objetivos. O primeiro deles, econmico, tirar da companhia a responsabilidade pelos custos relacionados ao transporte desses empregados. E o segundo, poltico, desarticular a organizao sindical da categoria.

O Sindicato lembra que a deciso aprofunda os impactos negativos de uma medida tomada dois anos atrs, sob a gesto de Pedro Parente. Em abril de 2018, a empresa eliminou os voos das plataformas de Merluza e Mexilho pelo Aeroporto de Itanham, transferindo todos eles para Jacarepagu, no Rio de Janeiro. Com isso, 30 postos de trabalho foram extintos e a economia local foi impactada, prejudicando taxistas, donos de hotis e restaurantes. Apesar de jogar fora R$ 14 milhes investidos poucos anos antes em melhorias no aeroporto, a deciso foi justificada pela necessidade de reduzir custos.

Pouco mais de um ano depois, uma nova medida confirmaria a preferncia da empresa por concentrar as atividades no Rio. Em outubro de 2019, sem negociao com o Sindicato, a empresa anunciou que 74 empregados do Valongo seriam transferidos para a capital fluminense. Destes, 37 j foram obrigados a se mudar e outros 37 seguem em Santos. A desestruturao da vida de dezenas de famlias, mais uma vez, foi justificada pela “necessria" reduo de custos. Um ano antes, no setor de Poos, sete engenheiros foram deslocados para Maca (RJ).

Numa consequncia direta desta poltica, na ltima semana a ProTec - empresa terceirizada que atuava no Edifcio Valongo com segurana do trabalho - no teve o contrato renovado. Com isso, cinco postos de trabalho foram extintos. E fortalecendo o encolhimento e concentrao da rea administrativa da empresa no Rio, a direo da Petrobrs se aproveita da pandemia para defender o home office como condio permanente de trabalho para ao menos 50% desse setor da categoria, como declarou em entrevista recente o presidente da companhia, Roberto Castello Branco.

Isso lhe permite, de uma s vez, pr em prtica dois objetivos: de um lado reduzir custos, ao esvaziar prdios administrativos espalhados pelo pas, e de outro fragilizar a organizao sindical da categoria, afinal os trabalhadores estaro submetidos a uma condio de isolamento permanente, perdendo qualquer contato com a coletividade. No que se refere economia conquistada com o home office, j temos no Valongo resultados prticos: Telsan (engenharia) e Topservice (manuteno e limpeza) promoveram demisses nos ltimos dias. E tudo indica que outras terceirizadas seguiro o mesmo caminho.

“Temos lotados no Valongo 1.861 trabalhadores prprios e praticamente o mesmo nmero de terceirizados, o que totaliza quase 4 mil pessoas. Mas se depender da atual direo, esse nmero cair. Uma gesto que no protege os trabalhadores na maior crise sanitria que j enfrentou, entregando mscaras de pssima qualidade e forando a continuidade de atividades no essenciais, no hesitar em desativar o Valongo se houver espao para isso. Ir sim fechar o prdio, encerrar os contratos com as terceirizadas e transferir os empregados prprios para o Rio. Este o plano que vem se desenhando”, denuncia Fbio Mello, diretor de comunicao do Sindipetro-LP.


Para Adaedson Costa, coordenador-geral do Sindipetro-LP e secretrio-geral da Federao Nacional dos Petroleiros (FNP), o desmonte dos negcios da companhia no estado de So Paulo evidente. “Quando juntamos os fatos e percebemos o quanto esto articulados, no restam dvidas do que se est em curso. Mas sua execuo parcelada tem um objetivo: blindar a gesto da empresa da reao negativa da opinio pblica e tentar evitar uma resposta organizada da categoria. Se essas medidas fossem tomadas de uma s vez cairia como uma bomba para a sociedade”.

Quase um ano atrs, em uma palestra organizada pela BTG Pactual, em agosto de 2019, Salim Mattar j dava razo opinio de Adaedson Costa. Na ocasio, o secretrio especial de Desestatizaes, Desinvestimentos e Mercados do Ministrio da Economia, deu a pista sobre a estratgia do governo Bolsonaro para as privatizaes: "Se voc fizer muito barulho pior. Ento, tem que trabalhar mais em off”.

Edisp, um estudo de caso

Apesar de dramtico, o prognstico do Sindipetro-LP consistente. Alm das medidas j apontadas, que sinalizam uma tendncia de esvaziamento do Valongo, h um caso concreto recente que serve de exemplo: a desativao da sede administrativa da companhia, na Av. Paulista, o Edisp. Em fevereiro de 2019, a direo da Petrobrs - j sob o comando do bolsonarista Roberto Castello Branco - anunciou a desocupao do prdio.

Em reunio com os trabalhadores logo aps o anncio repentino, o gerente executivo de Gesto de Pessoas, Cludio Costa, abordou o tema sem meias palavras. A fala foi gravada, o udio vazado e a revolta foi imediata. Em determinado trecho, ele avisou: “D pra absorver todo mundo? No, no d. Algumas pessoas no ficaro na companhia. D pra absorver todo mundo que aqui est? No, algumas pessoas no ficaro. Algumas vo poder decidir por escolha prpria no permanecer na companhia, os programas viro aqui para ajud-los nesse processo decisrio. O que a gente precisa ter em mente aqui : ficar em So Paulo aquilo que essencial”.

Cibele Vieira, diretora do Sindipetro Unificado, relembra o percurso traado desde a gesto Pedro Parente, em 2016, at Castello Branco, em 2019, quando o prdio foi desativado. “A grande mudana foi quando o setor de Bens e Servios, a atividade-chefe do prdio, passou a ser desmontada em 2016. No incio, as transferncias seriam realizadas para o Rio, mas aps muita presso conseguimos realocar os trabalhadores para unidades do estado de So Paulo. Na poca, fizemos atos, denunciamos as medidas e avisamos que o projeto era fazer isso com o prdio inteiro. Para alguns soou como alarmismo, exagero. Os fatos, infelizmente, nos deram razo”.

Com o fechamento da unidade consolidada, novamente a luta do Sindipetro Unificado foi para garantir a permanncia dos trabalhadores no estado. Aps pressionar a empresa, a maior parte foi realocada para as refinarias do estado e, inclusive, para o Valongo. Fbio Santos, diretor do Sindipetro-LP, comenta que a chegada desses trabalhadores coincidiu com a suspenso, temporria, da transferncia de parte do setor de Contabilidade e Tributrio (Contrib) para o Rio. “Algumas transferncias acabaram sendo efetivadas em 2017, mas em quantidade menor que a planejada pela empresa. Acreditamos que a transferncia dos remanescentes do Edisp para o Valongo ao longo de 2018 e parte de 2019, no mnimo, retardou esse processo. Agora, de se esperar que a empresa tente retom-lo. De qualquer forma, demonstra que a tentativa de concentrar as atividades no Rio antiga”.

Em relao aos terceirizados, sempre a corda mais fraca, Cibele comenta que a companhia simplesmente no renovou os contratos, deixando a fora de trabalho indireta prpria sorte. Antes das medidas implantadas via desinvestimento, o Edisp chegou a ter mil trabalhadores prprios. Hoje, restam no novo edifcio, na Rua Augusta, cerca de 180. “H um simbolismo na extino do Edisp. Era um marco muito grande da presena da Petrobrs em So Paulo. Hoje, sua sada para um prdio desconhecido ilustra o caminho escolhido pela atual direo, que sim desmontar investimentos no nosso estado”.

Articulao estadual para barrar o desmonte

Para que o Valongo confirme sua vocao, que gerenciar a riqueza descoberta na camada do pr-sal, o Sindicato defende uma grande articulao estadual. “Esse tema no pode ser uma preocupao s nossa. Porque afeta os trabalhadores diretos, terceirizados e suas famlias, mas tambm toda a economia. Precisamos do apoio da sociedade e de uma resposta efetiva das autoridades pblicas. Sem isso, barrar esse desmonte ser uma tarefa muito mais difcil. Vereadores, prefeitos e governador no podem se omitir”, defende Mello.

Embora no haja ainda estudos sobre os impactos da reduo das atividades da Petrobrs no estado de So Paulo, o que viveu o Rio Grande do Norte serve de alerta. Aps a venda e desmobilizao de ativos, com o fim da explorao de petrleo em terras potiguares, os investimentos caram R$ 931,7 milhes (63,03%), entre 2012 e 2018.

Para Adaedson, mais que uma reorientao de negcios, a poltica da atual direo tem razes ideolgicas. “Meses antes de assumir a presidncia da empresa, Castello Branco publicou um artigo na Folha defendendo a sua privatizao. J no comando da empresa, reafirmou que seu sonho vend-la. o tpico caso da raposa cuidando do galinheiro. E assim como abandona So Paulo de maneira parcelada, tenta privatizar a empresa aos poucos, fatiando o seu patrimnio, retirando direitos, promovendo demisses. Sem grande alarde, de maneira dissimulada, tenta transformar seu sonho em realidade”.

Para Fbio Mello no por acaso que, por vrias vezes, Castello Branco defendeu a Petrobrs como uma empresa do Rio de Janeiro. Para ele, trata-se de uma falsificao da histria. “A Petrobrs foi criada a partir de um movimento popular nacionalista, na dcada de 1950. Desde ento, cresceu e se espalhou por todas as regies do pas, das reas mais urbanas s mais remotas e rurais, pois se trata de uma empresa genuinamente brasileira, com compromissos histricos com seu pas. No fundo, o que Castello Branco quer transformar esse patrimnio nacional numa cpia das empresas privadas, que exploram seus trabalhadores, reduzem direitos e entregam todo o lucro aos acionistas privados”. E completa. " um bajulador do Deus-Mercado, que coloca venda oito refinarias, metade do seu parque de refino, para “estimular" a concorrncia! Isso s se explica por motivaes ideolgicas, por entreguismo, submisso aos interesses privados. contra essa poltica criminosa que estamos lutando”.



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