Música e arte em 76 anos de vida
ARTISTA TRAZ CONSERVATÓRIO PARA CHÁCARA ONDE MOROU

Pela extensa área verde do novo endereço do Conservatório Carlos Gomes, com tradição de 88 anos e agora instalado em área de 5 mil m2 no bairro Santa Cândida, a diretora Léa Ziggiatti anda com passos curtos rumo ao salão de concertos que é palco para os alunos apresentarem pequenos musicais aos sábados. No meio do caminho faz uma pausa para cumprimentar as crianças que entram e saem das salas de aulas.
Tranquilamente chega à porta da sala e senta-se próximo ao amigo conhecido de longa data, um piano de calda preto. Pianista e Flautista Doce por formação, Léa Ziggiatti é também bacharel em Direito pela PUC Campinas, escritora e jornalista com atuação nos jornais da cidade. Atrás dela, um busto e dois belos quadros da lenda que dá nome ao conservatório, o maestro Carlos Gomes.
Pioneirismo dos avós
A primeira escola de música de Campinas foi criada por seus avós, José e Catarina Inglese Soares em 1927 e teve como primeiro diretor o professor Miguel Ziggiatti, seu tio. Nasceu em uma família de artistas e ri do fato de nunca ter sido dona de casa: “minha mãe nunca me quis na cozinha, ela dizia que eu tinha que estudar para ser uma musicista”.
Casou com 25 anos, com o fotógrafo Ubirajara Monteiro, com quem teve dois filhos que também educou para serem artistas. Em 1962 ela assume a diretoria do Conservatório com uma visão pioneira na formação dos jovens artistas, defendendo uma filosofia de integração entre as diferentes artes. Desenvolve então, de acordo com as novas leis de formação profissional, cursos técnicos profissionalizantes de música, teatro, dança e artes plásticas.
“Percebi que era necessário formar um artista global, capaz de saber explorar ao máximo suas habilidades pessoais junto com as técnicas aprendidas”, comenta Lea. Esse novo conceito vem formando profissionais de referência para o mercado.
Já passaram por aqui figuras conhecidas, como a atriz Regina Duarte, o artista plástico Paulo Cheida, a bailarina Dulce Mirian Schmidt, os musicistas Deise de Lucca, Paulo Grikis Steinberg e tantos outros que, em plena lucidez nos seus 76 anos de vida, não esquece de nenhum nome. “Eu encaro este trabalho com responsabilidade, em saber que cada pessoa que passa pelo Conservatório sai munida de muito conhecimento que servirá pra a vida toda”, diz Ziggiatti.
Criatividade acima de tudo
Na direção do Conservatório Carlos Gomes, Léa Ziggiatti criou centenas de projetos musicais, entre eles “Conjunto de Música Antiga do Conservatório”, “Meninos Cantores de Campinas” e “Gigantes do Conservatório”, além de ter contribnuido para a criação da Orquestra Sinfônica de Campinas.
Conquistou vários prêmios, como no Festival Estudantil de Teatro de Tatuí (1987) quando recebeu 8 troféus pela adaptação do tema Medieval, o Prêmio Revelação pela adaptação de “Branca de Neve” para opereta (1996), e o Prêmio Municipal Estímulo de Literatura Infantil (1993) Auto das Estrelinhas de Belém. “Dediquei toda a minha vida a este projeto de artes e sinto que ele é uma responsabilidade de família, não consigo me desgarrar de tudo isso, faço com paixão na alma”, declara.
Museu de Arte Infantil
A direção do Conservatório, incentivado por Léa, prepara a abertura do primeiro Museu Brasileiro de Arte Infantil. O acervo, produzido por crianças, espera apenas a adequação de um local na chácara onde está instalado o Conservatório, para que as peças possam ser expostas para visitação pública.
Novo momento
Desde janeiro o Conservatório está instalado na Rua José Freitas Amorim, 155, no Jd. Santa Cândida na chácara de 5 mil m2 onde morou por 15 anos com o marido e os filhos. Feliz com a mudança, a diretora diz que a escola está vivendo um novo momento.
E com apenas três semanas de funcionamento, as vinte e duas salas de aulas já recebiam em três turnos mais de 200 alunos, com aulas voltadas para bebês, o público infanto-juvenil e os adultos dispostos a aperfeiçoar seus talentos. “Não existe idade mínima ou máxima para se introduzir no universo das artes. Pois é como sempre digo, o ideal é a arte, a inspiração é Deus”, finaliza a artista.
TEXTO: Andremárcia Aroucha
Dinâmica e bem humorada, a artista tem muitos planos para o novo local