Campinas, 30 de Setembro de 2014
RETRATOS DO ABANDONO
27/02/2012
Notícia publicada na edição n.46 do Jornal Alto Taquaral
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A rpida e desordenada verticalizao da regio do Alto Taquaral, principalmente no entorno do bairro Manses Santo Antonio, onde se concentram mais de 150 mil moradores, possvel observar um contraste na paisagem de concreto: h sete “esqueletos” de prdios abandonados h anos. Conhea um pouco da histria de cada um e a falta de perspectivas para retomada das obras.

Rua Nelson Alaite 119 - Manses Santo Antonio


O condomnio residencial previa dois blocos de edificao com 15 pavimentos cada, mais cobertura, em rea total de 11.741 m2, de propriedade da empresa Abramides Empreendimentos Imobilirios S/C Ltda. O projeto original foi aprovado em mai/95 e o alvar autorizando o incio das obras foi emitido em agosto do mesmo ano. Em jan/00 uma vistoria constatou que as obras estavam paralisadas em estgio de aliceramento do 5 andar. Apesar da rea tcnica da construtora ter sido intimada em out/01 a regularizar a obra, em set/07 nada havia mudado: “a obra estava abandonada e em situao precria e insegura, com madeiras caindo”, como relataram os fiscais na poca. Em mar/08, o responsvel tcnico pelas obras foi intimado mas informou que a retomada do empreendimento implicaria em alteraes no projeto aprovado em 1995, implicando na demolio da estrutura existente. Apesar de ter sido informado das providncias necessrias para esta alterao, o prdio continua abandonado e a empresa no foi localizada.

Rua Adelino Martins, em frente ao n 404 - Resid. Rio So Francisco


A estrutura abandonada na Rua Adelino Martins, na altura do n 400, deveria ser o Condomnio Residencial Rio So Francisco. Lanado pela Athol Campinas Construtora Ltda. em 1996, eram trs torres com 150 apartamentos, metade reservada para a construtora. Percebendo a lentido das obras, os moradores entraram na Justia em 1997 e resguardaram a posse do terreno. O processo ainda tramita na 9 Vara Cvel de Campinas e no Tribunal de Justia de So Paulo, com mais de 10 mil pginas. Com a falncia da Athol em 1998, a obra foi abandonada com estruturas parcialmente executadas (do 3 ao 5 pavimento). Hoje a construo fechada com muro e cercas, acumula mato e ocupada por dois moradores de rua. A Athol, mesmo falida, no abriu mo dos apartamentos reservados em seu nome e nunca apresentou os documentos de pagamento, impedindo com isso a retomada da construo. Carlos Silveira, presidente da Comisso dos compradores que “ficaram no prejuzo” registra sua indignao pela demora de uma soluo judicial.

Rua Jasmin n 250 - Chcaras Primavera - Residencial Rio Tocantins


Tambm da Athol a torre desativada do Resdiencal Rio Tocatins. O projeto do condomnio previa duas torres com 70 apartamentos cada. Com a falncia da empresa em 1998, os compradores da primeira torre receberam as chaves dos apartamentos ainda inacabados. No havia piso, portaria, rea de lazer, nenhuma infraestrutura. Eles formaram uma comisso e finalizaram a torre, foram agregando as melhorias e entraram na Justia para exigir da empresa a entrega completa do condomnio. Os compradores da torre de trs, cujo prdio estava apenas na estrutura e alvenaria, no conseguiram avanar com a obra e o caso continua na Justia. Esta torre abandonada fica dentro da rea fechada do condomnio.

Rua Almeida Garret, 1100 - Parque Taquaral /Ecolife


O Ecolife, edifcio de 20 andares com vista para a Lagoa foi um projeto que causou forte polmica no Parque Taquaral. O alvar de construo concedido com base na Lei 11.764/2003 (revogada posteriormente ao ser julgada inconstitucional), conflitava com o Plano Diretor da cidade, por ser rea vetada para prdios. Desde o lanamento, no incio de 2008, os moradores vizinhos contestaram na Justia a irregularidade da obra, que foi embargada em maro de 2009, quando j haviam sido concludos quatro andares e cerca de 80% do empreendimento comercializado. Mas at hoje construtoras e Prefeitura ainda recorrem da deciso judicial, embora a Ecoesfera Empreendimentos Sustentveis tenha anunciado a devoluo do dinheiro aos compradores.

Rua Hermantino Coelho 355 Santa Cndida


De propriedade da Construpan Construtora, o projeto aprovado em maio de 1994 previa 14 pavimentos que foram concludos apenas na parte estrutural. A construtora informou que a obra parou em 2004, por problemas de inadimplncia. Atualmente o empreendimento busca novos investidores para dar continuidade obra, que fica ao lado do crrego das Cobras e, segundo a Prefeitura, est fora da rea de contaminao do bairro. A Construpan foi intimada em janeiro deste ano, “a colocar o imvel em condies de segurana, estabilidade e salubridade” e o prdio interditado at que o mato, lixo e entulhos sejam removidos. Em fevereiro a empresa cortou o mato, limpou e cercou a rea.

Rua Hermantino Coelho 758 - Residencial Parque Primavera


A indstria Proquima Produtos Qumicos Ltda, funcionou na Rua Hermantino Coelho - bairro Manses Santo Antnio de 1973 at 1996, quando a construtora Concima comprou a rea de 8 mil m2, aprovando um projeto de construo de quatro torres do Residencial Parque Primavera, sendo que uma delas (Torre A) foi habitada em 2001 e duas (B e C) esto finalizadas, vendidas e fechadas desde 2002, quando a Cetesb notificou a suspeita de contaminao do solo. Em 2003, a Prefeitura entrou com uma Ao Civil Pblica contra a Concima e a Proquima, que tramita na 1 Vara da Justia. Em junho de 2008, foi assinado um Termo entre o Municpio, a Concima e a Cetesb, com a anuncia do Ministrio Pblico, focado na remediao da rea, necessria para a concesso dos habite-ses das duas torres. Mas em 2011 a Concima deixou de cumprir o acoro que previa a extrao de gases e, em funo do risco de contaminao, a torre A foi interditada. Os moradores entraram na Justia e se recusam a sair do local, enquanto os compradores dos demais blocos brigam h mais de 10 anos para liberar os apartamentos prontos. At que se tenha certeza da extenso da contaminao, esto proibidas obras que revolvam o solo no polgono formado entre as ruas Hermantino Coelho, Mrio Reis, Arquiteto Jos Augusto Silva, Joo Preda e Lauro Vanucci, incluindo a margem esquerda do Crrego das Cobras.

Rua Hermantino Coelho 656, Condomnio Cidades da Espanha


O projeto original previa 4 blocos de edificao com 7 pavimentos cada, em rea total de 9.540 m2, de responsabilidade da empresa C. Savoy Construes e Comrcio Ltda. O projeto recebeu alvar de aprovao em maio/93 e at ago/99 a construo subiu at o 7 pavimento, mas em mar/00 uma vistoria constatou a paralisao da obra. Em maio, uma assemblia de condminos destituiu a empresa Savoy como construtora e incorporadora, alegando falta de confiana e irregularidades. Em out/2002 a MOG Comercial e Construtora Ltda, proprietria do imvel, informou Prefeitura que “foi efetivada, por ordem judicial, a reintegrao de posse do imvel” e solicitou a pronta retomada das obras. Mas o processo foi arquivado em ago/2004. A MOG explica que tem uma ao, em conjunto com os condminos, correndo na Justia contra a Savoy e as obras no podem ser retomadas at que se resolva a questo da contaminao do solo no bairro.


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