Campinas, 05 de Março de 2015
RETRATOS DO ABANDONO
27/02/2012
Notícia publicada na edição n.46 do Jornal Alto Taquaral
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A rápida e desordenada verticalização da região do Alto Taquaral, principalmente no entorno do bairro Mansões Santo Antonio, onde se concentram mais de 150 mil moradores, é possível observar um contraste na paisagem de concreto: há sete “esqueletos” de prédios abandonados há anos.  Conheça um pouco da história de cada um e a falta de perspectivas para retomada das obras.

 

Rua Nelson Alaite 119 - Mansões Santo Antonio


O condomínio residencial previa dois blocos de edificação com 15 pavimentos cada, mais cobertura, em área total de 11.741 m2, de propriedade da empresa Abramides Empreendimentos Imobiliários S/C Ltda. O projeto original foi aprovado em mai/95 e o alvará autorizando o início das obras foi emitido em agosto do mesmo ano. Em jan/00 uma vistoria constatou que as obras estavam paralisadas em estágio de alicerçamento do 5º andar. Apesar da área técnica da construtora ter sido intimada em out/01 a regularizar a obra, em set/07 nada havia mudado: “a obra estava abandonada e em situação precária e insegura, com madeiras caindo”, como relataram os fiscais na época. Em mar/08, o responsável técnico pelas obras foi intimado mas informou que a retomada do empreendimento implicaria em alterações no projeto aprovado em 1995, implicando na demolição da estrutura existente. Apesar de ter sido informado das providências necessárias para esta alteração, o prédio continua abandonado e a empresa não foi localizada.

 

Rua Adelino Martins, em frente ao nº 404  - Resid. Rio São Francisco


A estrutura abandonada na Rua Adelino Martins, na altura do nº 400, deveria ser o Condomínio Residencial Rio São Francisco. Lançado pela Athol Campinas Construtora Ltda. em 1996, eram três torres com 150 apartamentos, metade reservada para a construtora. Percebendo a lentidão das obras, os moradores entraram na Justiça em 1997 e resguardaram a posse do terreno. O processo ainda tramita na 9ª Vara Cível de Campinas e no Tribunal de Justiça de São Paulo, com mais de 10 mil páginas. Com a falência da Athol em 1998, a obra foi abandonada com estruturas parcialmente executadas (do 3º ao 5º pavimento). Hoje a construção é fechada com muro e cercas, acumula mato e é ocupada por dois moradores de rua. A Athol, mesmo falida, não abriu mão dos apartamentos reservados em seu nome e nunca apresentou os documentos de pagamento, impedindo com isso a retomada da construção. Carlos Silveira, presidente da Comissão dos compradores que “ficaram no prejuízo” registra sua indignação pela demora de uma solução judicial.

 

Rua Jasmin nº 250  - Chácaras Primavera - Residencial Rio Tocantins


Também é da Athol a torre desativada do Resdiencal Rio Tocatins. O projeto do condomínio previa duas torres com 70 apartamentos cada. Com a falência da empresa em 1998, os compradores da primeira torre receberam as chaves dos apartamentos ainda inacabados. Não havia piso, portaria, área de lazer, nenhuma infraestrutura. Eles formaram uma comissão e finalizaram a torre, foram agregando as melhorias e entraram na Justiça para exigir da empresa a entrega completa do condomínio. Os compradores da torre de trás, cujo prédio estava apenas na estrutura e alvenaria, não conseguiram avançar com a obra e o caso continua na Justiça.  Esta torre abandonada fica dentro da área fechada do condomínio. 

 

Rua Almeida Garret, 1100  - Parque Taquaral /Ecolife


O Ecolife, edifício de 20 andares com vista para a Lagoa foi um projeto que causou forte polêmica no Parque Taquaral. O alvará de construção concedido com base na Lei 11.764/2003 (revogada posteriormente ao ser julgada inconstitucional), conflitava com o Plano Diretor da cidade, por ser área vetada para prédios. Desde o lançamento, no início de 2008, os moradores vizinhos contestaram na Justiça a irregularidade da obra, que foi embargada em março de 2009, quando já haviam sido concluídos quatro andares e cerca de 80% do empreendimento comercializado. Mas até hoje construtoras e Prefeitura ainda recorrem da decisão judicial, embora a Ecoesfera Empreendimentos Sustentáveis tenha anunciado a devolução do dinheiro aos compradores. 

Rua Hermantino Coelho 355 Santa Cândida


De propriedade da Construpan Construtora, o projeto aprovado em maio de 1994 previa 14 pavimentos que foram concluídos apenas na parte estrutural. A construtora informou que a obra parou em 2004, por problemas de inadimplência. Atualmente o empreendimento busca novos investidores para dar continuidade à obra, que fica ao lado do córrego das Cobras e, segundo a Prefeitura, está fora da área de contaminação do bairro.  A Construpan foi intimada em janeiro deste ano, “a colocar o imóvel em condições de segurança, estabilidade e salubridade” e o prédio interditado até que o mato, lixo e entulhos sejam removidos. Em fevereiro a empresa cortou o mato, limpou e cercou a área. 

 

Rua Hermantino Coelho 758 - Residencial Parque Primavera


A indústria Proquima Produtos Químicos Ltda, funcionou na Rua Hermantino Coelho - bairro Mansões Santo Antônio de 1973 até 1996, quando a construtora Concima comprou a área de 8 mil m2, aprovando um projeto de construção de quatro torres do Residencial Parque Primavera, sendo que uma delas (Torre A) foi habitada em 2001 e duas (B e C) estão finalizadas, vendidas e fechadas desde 2002, quando a Cetesb notificou a suspeita de contaminação do solo. Em 2003, a Prefeitura entrou com uma Ação Civil Pública contra a Concima e a Proquima, que tramita na 1ª Vara da Justiça. Em junho de 2008, foi assinado um Termo entre o Município, a Concima e a Cetesb, com a anuência do Ministério Público, focado na remediação da área, necessária para a concessão dos habite-ses das duas torres. Mas em 2011 a Concima deixou de cumprir o acoro que previa a extração de gases e, em função do risco de contaminação, a torre A foi interditada. Os moradores entraram na Justiça e se recusam a sair do local, enquanto os compradores dos demais blocos brigam há mais de 10 anos para liberar os apartamentos prontos. Até que se tenha certeza da extensão da contaminação, estão proibidas obras que revolvam o solo no polígono formado entre as ruas Hermantino Coelho, Mário Reis, Arquiteto José Augusto Silva, João Preda e Lauro Vanucci, incluindo a margem esquerda do Córrego das Cobras.

 

Rua Hermantino Coelho 656, Condomínio Cidades da Espanha


O projeto original previa 4 blocos de edificação com 7 pavimentos cada, em área total de 9.540 m2, de responsabilidade da empresa C. Savoy Construções e Comércio Ltda. O projeto recebeu alvará de aprovação em maio/93 e até ago/99 a construção subiu até o 7º pavimento, mas em mar/00 uma vistoria constatou a paralisação da obra. Em maio, uma assembléia de condôminos destituiu a empresa Savoy como construtora e incorporadora, alegando falta de confiança e irregularidades.  Em out/2002 a MOG Comercial e Construtora Ltda, proprietária do imóvel, informou à Prefeitura que “foi efetivada, por ordem judicial, a reintegração de posse do imóvel” e solicitou a pronta retomada das obras. Mas o processo foi arquivado em ago/2004. A MOG explica que tem uma ação, em conjunto com os condôminos, correndo na Justiça contra a Savoy e as obras não podem ser retomadas até que se resolva a questão da contaminação do solo no bairro.  


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