Campinas, 18 de Novembro de 2018
ACESSO ESPERADO HÁ ANOS É EMBARGADO EM POUCAS HORAS
20/06/2018
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Uma pequena obra de melhoria viária no Parque Taquaral, que vem sendo solicitada há cerca de oito anos pela população do bairro, teve vida muito curta: começou na manhã da última sexta-feira, dia 15 de junho, e menos de duas horas depois já estava embargada. O motivo? Falta de comunicação entre Prefeitura (Emdec) e Estado (DER).

A obra iria remodelar a alça de acesso existente no início da Rua Luiz Otávio em direção ao trecho urbano da rodovia Miguel Noel Nascentes Burnier (SPA-135/065), onde já ocorreram vários acidentes. Mas a Empresa de Desenvolvimento de Campinas (Emdec) responsável pelo projeto não pediu autorização ao Departamento de Estradas e Rodagem (DER) para fazer parte da obra em área sob sua jurisdição. Por isso, o órgão interditou a melhoria até conhecer o projeto.

“Agora vamos ter que esperar mais dez anos para conseguir retomar isso”, comenta Marcelo Janozeli, morador que a quase uma década articula melhorias viárias no bairro. Ele afirma que o atual acesso à rodovia, localizado próximo ao restaurante Giga Byte, “confunde os motoristas e muita gente trafega pela contramão provocando acidentes sérios”. Ele questiona: se ocorrer um acidente com morte neste local, quem será responsável, Estado ou Município??

Somente cinco dias depois do embargo, a Emdec se manifestou dizendo que “já encaminhou o projeto da obra para o DER e aguarda a apreciação e liberação do mesmo, para dar prosseguimento aos trabalhos no local, que serão efetuados pela Secretaria de Serviços Públicos”. Mas não explicou porque ignorou a legislação, inviabilizando uma obra importante para o bairro.

Projeto é de março de 2017

O esboço do estudo técnico para implantação da rotatória entre as ruas Luiz Otávio e Francisco Pereira Coutinho com acesso para a rodovia foi elaborado pela área de Mobilidade Urbana da Emdec depois do pedido formalizado pelo Conselho de Segurança do Taquaral (Conseg), que encaminhou a demanda dos moradores do bairro. ao  entregar o estudo, o analista Celso Pedroso explicou que a rotatória fazia parte do projeto para revitalização da sinalização viária do Parque Taquaral, em elaboração à época pela Emdec.

Projeto embargado previa pequena rotatória entre as ruas Luiz Otávio e Francisco P. Coutinho

A Associação de Moradores do bairro, localizado ao lado da rodovia, registram quase uma década de reclamações dos problemas de sinalização e organização viária, com dezenas de protocolos, reclamações e recomendação do Ministério Público, além de cinco mortes por atropelamento. Nesse período, foram realizadas várias reuniões com as diretorias de Emdec e DER, mas apesar de muitas promessas teve poucos resultados.

Marcelo Janozeli lembra que em resposta às muitas solicitações, o DER instalou em 2016 radares e faixas de travessia na rodovia. “Isso apenas minimizou o problema, porque em horário de pico quem tenta atravessar ainda encontra muita dificuldade”, argumenta. A alça de acesso que ia ser instalada poderia reduzir a entrada de carros para a rodovia pela contramão, como acontece hoje. Eles sobem a Luiz Otávio – onde a sinalização é fraca e confusa -  e vão para a pista pela contramão ou entram no bairro também pela contramão na churrascaria Coxilha do Sul, ou seja, não há aumento de impacto no trânsito pois isso os carros já fazem hoje, mas da maneira incorreta.  

DER questiona segurança do tráfego

O assistente administrativo do DER em Campinas, João Roberto Cyrillo, alega que “o embargo não teve intenção de travar a obra, mas como o DER não sabia - nem sabe até o momento o que a EMDEC pretende fazer no local - foi solicitada a paralização dos serviços até que se formalize e apresente o projeto/proposta do que se pretende realizar”. 

Ele explica ainda que “por não termos o conhecimento da proposta, também não temos a garantia que as intervenções que estavam sendo realizadas não afetariam a segurança de tráfego da rodovia”. E finaliza dizendo que “independente do que estava sendo realizado, não se pode entrar na Faixa de Domínio do Estado e iniciar intervenções sem a devida autorização do administrador da via”.

Sobre a instalação de um guard raill para evitar que os veículos atravessem o canteiro que separa a rua Luiz Otávio da rodovia para fugir dos constantes congestionamentos, o DER argumenta agora que é um equipamento caro para ser usado com esta finalidade e “as guias existentes deveriam ser respeitadas pelos condutores”.  Mas em 2016 os moradores ouviram do engenheiro Valdecir Vieira que o equipamento seria instalado no local. "O cidadão de Campinas está abandonado perante a serviços públicos, seja da esfera Estadual ou Municipal", conclui Marcelo.

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